Setembro Amarelo: cuidado com a saúde mental no ambiente escolar
28/09/2026
Pesquisas mostram os impactos do estresse e do sofrimento psíquico entre alunos, professores e profissionais da educação, reforçando o papel da escola como espaço de acolhimento e prevenção.

A chegada do Setembro Amarelo reforça a urgência de olhar para a saúde mental não apenas em campanhas pontuais, mas na rotina diária das instituições de ensino. O período convida governos, educadores e a sociedade como um todo a analisarem criticamente os indicadores sociais que impactam diretamente o bem-estar no ambiente escolar.
No Brasil, o ambiente escolar tem sido atravessado por desafios complexos relacionados ao bem-estar emocional e ao sofrimento psíquico de alunos, professores e demais agentes da educação. Informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024 e com dados consolidados e divulgados em 2026, indicam que 42,9% dos estudantes de 13 a 17 anos relatam sentir-se “irritados, nervosos ou mal-humorados” por qualquer coisa. Além disso, cerca de 18,5% dos alunos afirmaram pensar que “a vida não vale a pena ser vivida” com uma frequência “sempre ou na maioria das vezes”, segundo os dados da pesquisa.
Esse cenário chama atenção especialmente porque o bem-estar dos estudantes está diretamente ligado à convivência e à proteção social. Segundo o próprio levantamento do IBGE de 2024, a sensação de desamparo afeta 26,1% dos alunos, que relatam sentir que “ninguém se preocupa com ele” na "maioria das vezes" ou "sempre", evidenciando que a necessidade de escuta e acolhimento não está relacionada apenas ao rendimento pedagógico, mas também a fatores emocionais e de pertencimento social.
Um levantamento sobre licenças e afastamentos no trabalho, com dados do Ministério da Previdência Social apurados até o início de 2026, reforça esse cenário de urgência ao olhar também para os profissionais da educação. Segundo o balanço, os afastamentos por transtornos de saúde mental bateram recorde no Brasil, somando 472.328 casos em um único ano (2024). A análise aponta que a crise atinge de forma direta os professores do estado de São Paulo, categoria que acumulou 33.309 licenças médicas relacionadas a transtornos mentais e comportamentais.
Embora a preocupação com a gestão educacional tenha avançado, a sobrecarga contínua de trabalho e os episódios de violência nas escolas mantêm os educadores sob alta pressão mental. Dados de uma pesquisa realizada em 2026 pela APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) indicam que 41% dos servidores da educação estadual relatam sintomas de ansiedade e síndrome do pânico, enquanto 29,8% enfrentam quadros depressivos.
Além disso, a mesma pesquisa aponta que 97,6% dos entrevistados na área da Educação relataram conectar algum nível de sofrimento emocional ao trabalho, evidenciando como a rotina pesada no ambiente escolar sobrecarrega a saúde dos professores.
Outro fator que impacta diretamente a saúde mental no ambiente escolar é a falta de espaços permanentes de escuta e acolhimento. De acordo com análises sobre o ecossistema educacional, a ausência de redes de apoio psicossocial reduz o tempo de identificação de sinais de sofrimento psíquico. Essa realidade reduz a capacidade de prevenir quadros graves de isolamento e esgotamento entre estudantes e profissionais.
Fortalecer a cultura do cuidado e a saúde mental nas escolas é premissa básica para ambientes de aprendizagem seguros, acolhedores e empáticos. Para isso, a atuação integrada entre setor público, iniciativa privada, organizações sociais e comunidades é essencial na criação de redes estruturadas de suporte socioemocional.
Alinhado a esse compromisso, o Instituto Chamex promove a educação como ferramenta de transformação social por meio de dois programas centrais:
O Programa Impacto em Ação concentra esforços nas comunidades do entorno das operações da Sylvamo Brasil, apoiando iniciativas locais que fortalecem a educação básica, ambiental, a capacitação técnica de jovens e adultos e a inclusão profissional de mulheres. O Programa contribui para a criação de ambientes educacionais e de trabalho mais acolhedores, seguros e transformadores.
Já o Programa É papel de todos, de abrangência nacional, atua em parceria com organizações da sociedade civil para promover uma educação criativa, inclusiva e de qualidade, impulsionando iniciativas voltadas ao suporte socioemocional, à valorização dos educadores, à inclusão e ao exercício da cidadania.
Os dados apresentados neste artigo reforçam que esse ecossistema de apoio não pode depender de campanhas pontuais. Manter espaços permanentes de escuta no dia a dia é o único caminho para que alunos e professores estudem e trabalhem com saúde plena e dignidade.
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Referências:
IBGE Educa. PeNSE 2024: saúde mental entre meninas atinge nível crítico. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/23240-saude-mental-entre-meninas-atinge-nivel-critico.html?utm_source=gemini
Ministério da Previdência Social | Revista Quero. Afastamentos por saúde mental batem novo recorde no Brasil. Disponível em: https://querobolsa.com.br/revista/afastamentos-por-saude-mental-batem-novo-recorde-no-brasil?utm_source=gemini
APEOESP. Adoecimento mental atinge 97% de servidores da Educação e 81% da Saúde. Disponível em: https://www.apeoesp.org.br/noticias/noticias-2026/adoecimento-mental-atinge-97-de-servidores-da-educacao-e-81-da-saude/?utm_source=gemini
Ilustração: Gerada por Canva IA em 28/09/2026.